segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Realizar que o corpo é a roupa que a gente veste pra vida, e a vida é passagem pela terra, e a nossa cor é só um reflexo de luz.

Não somos o que nascemos. Nós somos o que nem sabemos. Nós nem somos.
Porque não pedimos pra nascer. Não pedimos pra morrer. Pedimos para não morrer.
Mas se somos alguma coisa essa coisa não é a vontade de viver, e sim a vontade de não morrer. E veja bem, são duas coisas diferentes. Porque se se é um só viver não faz sentido. Se se é um só apenas se é. E se continua sendo até não ser mais. E se continua querendo ser simplesmente para não deixar de ser.

Acho que ainda não entendemos que nossa existência ultrapassa nossa simples existência. Que a vida vai além da nossa vida.
Precisamos aprender a existir para viver. Existir contemplando o que é vivo. Que se está vivo.

Tudo que a luz reflete é ferramenta. E o que não é reflexo de luz?
Parece que o homem esqueceu - se é que algum dia soube - que antes de ser indivíduo é uma espécie.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pichado num muro da periferia de Vitória

ENQUANTO NÃO HOUVER JUSTIÇA PARA OS POBRES, QUE NÃO HAJA PAZ PARA OS RICOS.

Não deu tempo de fotografar, mas registrei a mensagem mesmo assim.
Triste e sensata.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

o que me faz acordar todo dia em são paulo é dormir com os pés sujos de terra.

domingo, 20 de novembro de 2011

Do sentido que a vida não tem (ou do vazio que dá sentido a vida)

Estou num momento de muita desesperança.

O regimento interno do meu prédio vai definir a cor da cortina da minha sacada. E se eu quiser conviver naquele apartamento - coisa mais bizarra morar num empilhado de gente - com uma companhia de um cachorro ou um gato eu tenho que escolher entre um e outro! E não posso ter a companhia de dois gatinhos, ou de dois dogs. Só um.

Parece uma coisa pequena. E realmente é mesmo. Mas o problema é que isso é só a ponta de uma coisa muito doida e que norteia a nossa vida o tempo todo. A gente se importa mais com os outros do que com a gente!!

Eu queria só poder viver com a cor da cortina que eu escolher, com quantos gatinhos e cachorros eu quisesse ter, dormir e acordar todo dia até morrer. Queria poder cuidar mais da minha vida sem ter que me preocupar tanto com os outros.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Números imaginários

Partindo da noção de que eu só me entendo linearmente, eu me encanto com a minha ignorância de mim mesma.
O tempo é o nome daquilo que não sabemos. Nele cabe o futuro, tudo o que está por vir, e tudo o que já foi. Como pode isso? Uma coisa que comporta tudo? O tempo é a nossa noção cartesiana da vida; mas me parece que só tem uma dimensão.
Quê necessidade é essa de quantificar tudo? Qual o motivo de querer nos comparar em medidas, se eu sou eu e ninguém nunca vai saber o que é isso além de mim mesma?
E isso me faz sentir, ao mesmo tempo, achatada na minha noção de mim, e também perdida e confusa, porque sou de infinitas dimensões.
Essa vontade de me quantificar em escalas, legendas, números me faz distanciar de mim mesma. Eu sou eu. Só eu sou eu. Eu só sou eu. E isso é infinito pra dentro de mim.
Mas estou com dificuldade de me encontrar, porque pra fora sou um conjunto de afirmações, negações, estatísticas; e tudo isso, incrivelmente, depois de 22 anos pelo menos, me faz confundir a de fora com a de dentro. Não sei se é necessariamente uma confusão, mas é uma indefinição, e uma sensação de ser e não se saber o que se é.
Compreender a vida implica, também, descontruir essa noção de sequência linear e cumulativa a que a traduzimos, não acha?
Ah se nunca me tivesse sido apresentado o tempo...

sábado, 3 de outubro de 2009

Eu não estou conseguindo aceitar que só vivo de noções finitas. Eu não caibo em mim mesma! Como posso ter começo e fim em tudo?